Num país longínquo vivia um príncipe, que julgava que no mundo havia coisas e animais que não serviam para nada.
Dizia com muito mau-humor:
-As moscas servem unicamente para nos incomodar. E as aranhas servem para sujar tudo com as suas sujas teias.
Em certa ocasião, esse príncipe perdeu uma batalha e, perseguido pelos seus inimigos, teve de fujir atrvés de um bosque.
Setiu-se perseguido dia e noite. Estava já tão cansado que, a um certo momento, pôs-se a dormir junto ao tronco de uma árvore.
Foi acordado por uma forte picadela de uma mosca. Viu que perto dele já estavam os seus perseguidores e correu a refugiar-se numa gruta.
Os seus inimigos aproximaram-se. Olharam para a gruta e um deles disse:
-Aqui dentro não deve estar ninguém.
Um outro perguntou:
-por que dizes isso?
Replicou-lhe:
-Porque a entrada da gruta está coberta com uma grande teia de aranha. Se alguém tivesse entrado, estaria despedaçada.
Ficaram convencidos e afastaram-se.
Foi deste modo que o príncipe se salvou. E desde então deixou de pensar que na natureza há coisas inúteis. Ficou a saber que até as moscas e as aranhas servem para algo.